O que são os Foros Imperiais
Os Foros Imperiais são uma sucessão de cinco praças monumentais construídas por imperadores romanos entre o século I a.C. e o século II d.C., imediatamente junto ao Foro Romano, em direcção a nordeste. Cada foro foi concebido como uma unidade urbanística autónoma — praça, pórticos, templo dedicatório —, mas juntos formam um dos complexos públicos mais elaborados do mundo antigo.
O termo «Foros Imperiais» é uma designação moderna: na Antiguidade, cada foro era chamado pelo nome do seu fundador (Forum Caesaris, Forum Augusti, etc.). O conjunto estendia-se por cerca de 4 hectares, com um eixo principal orientado de sudoeste para nordeste.
Sequência cronológica
| Foro | Imperador | Ano de inauguração |
|---|---|---|
| Forum Caesaris | Júlio César | 46 a.C. |
| Forum Augusti | Augusto | 2 a.C. |
| Templum Pacis | Vespasiano | 75 d.C. |
| Forum Nervae (Transitório) | Nerva | 97 d.C. |
| Forum Traiani | Trajano | 112 d.C. |
Forum Caesaris: o primeiro modelo
O Foro de César (46 a.C.) foi o protótipo de todos os seguintes: uma praça rectangular alongada (160 × 75 m) fechada em três lados por pórticos e dominada por um templo na cabeceira — o Templo de Vénus Genetrix. César escolheu a sua própria antepassada mítica como divindade dedicatória, estabelecendo o princípio de que os Foros Imperiais eram espaços de glorificação pessoal disfarçados de dádiva à cidade.
Conservam-se hoje três colunas do Templo de Vénus Genetrix, o pódio e restos dos pórticos, em parte escavados sob a Via dei Fori Imperiali.
Forum Augusti: o manifesto
O Foro de Augusto (2 a.C.) levou o modelo cesariano à sua expressão completa. Maior do que o anterior (125 × 118 m), com duas grandes exedras semicirculares nos lados, o Foro de Augusto foi concebido como um manifesto da legitimidade augustana. O Templo de Marte Ultor — dedicado ao «Marte Vingador» dos assassinos de César — era o núcleo simbólico. As galerias dos summi viri nos pórticos narravam a história de Roma como uma cadeia que culminava em Augusto.
O murus Augustei, o muro de tufo de 30 metros no lado norte, separava o foro do populoso bairro da Subura e servia de corta-fogo — um pormenor que revela a consciência augustana da densidade urbana e dos seus riscos.
Sobrevivem três colunas coríntias do Templo de Marte, o muro septentrional e vestígios do sistema de exedras.
Templum Pacis: o quarto foro
O Templum Pacis (75 d.C.) foi construído por Vespasiano após a vitória na guerra judaica (66–70 d.C.) e a destruição do Templo de Jerusalém. É frequentemente esquecido nas listas dos Foros Imperiais, mas foi de facto o quarto polo monumental do complexo.
Os despojos de Jerusalém
O Templum Pacis albergava os tesouros do Templo de Jerusalém: o Candelabro de sete braços (Menorá), a Mesa dos Pães da Proposição, as trompetas sagradas. Estes objectos eram a prova material da vitória de Roma sobre o judaísmo — uma propaganda de conquista que Tito e Vespasiano cultivaram activamente. A Menorá de Jerusalém — visível também no Arco de Tito — tornou-se o ícone mais poderoso desta narrativa.
O Templum Pacis era também, de modo notável, uma das bibliotecas mais ricas de Roma e albergava uma extraordinária colecção de obras de arte gregas.
Estado actual
O Templum Pacis é o menos visível dos foros imperiais: os seus restos jazem em parte sob a Basílica dos Santos Cosme e Damião (século IV d.C.), que incorporou uma das paredes do complexo. A Forma Urbis Severiana — a grande planta em mármore de Roma com 18 × 13 metros — estava exposta na parede de um corredor do Templum Pacis. Fragmentos conservados nos Museus Capitolinos.
Forum Nervae (Transitório): o corredor monumental
O Foro de Nerva (97 d.C.) — chamado também Forum Transitorium porque funcionava como passagem entre o Foro Romano e o Templum Pacis — é o mais pequeno dos cinco foros imperiais e o menos visitado. Mede cerca de 120 × 45 metros: mais estreito do que os outros porque tinha de se encaixar num espaço já ocupado pelo Argiletum, a rua das livrarias.
As colonnacce
O elemento sobrevivente mais célebre do Foro de Nerva é as chamadas colonnacce — duas colunas coríntias com um fragmento de entablamento que se erguem acima do nível da Via dei Fori Imperiali. São tudo o que resta dos pórticos laterais. O friso do entablamento mostra figuras femininas a tecer — um tema ligado a Minerva, a divindade dedicatória do templo da cabeceira.
Forum Traiani: o culminar
O Foro de Trajano (112 d.C.) foi o maior e o mais elaborado de todos — e o mais dispendioso. Concebido pelo arquitecto sírio Apolodoro de Damasco, estendia-se por uma área de cerca de 300 × 185 metros, quase o dobro do Foro de Augusto. Para o construir, foi necessário cortar o esporão do Quirinal que se unia ao Capitólio: a Coluna de Trajano regista com os seus 38 metros de altura o nível do terreno antes da escavação — embora esta seja quase certamente uma interpretação moderna; a coluna foi erguida como mausoléu para Trajano.
Componentes do Foro Trajanino
A Basílica Úlpia: a grande basílica civil (170 × 60 m) com cinco naves era o maior edifício de Roma depois do Circo Máximo. Era o coração funcional do foro — tribunais, arquivos, transacções comerciais.
As duas bibliotecas: ladeando a basílica erguiam-se duas bibliotecas gémeas (uma latina, uma grega) que albergavam os principais arquivos literários e jurídicos do Império.
A Coluna de Trajano: com 30 metros de altura (35 com a base), a Coluna de Trajano narra em 155 cenas e cerca de 2.500 figuras as duas guerras dácias (101–102 e 105–106 d.C.). O friso em espiral desenvolve-se ao longo de cerca de 190 metros: é o relato mais longo e detalhado de uma campanha militar romana que sobreviveu. Originalmente, uma águia dourada coroava o topo; substituída por uma estátua de Trajano no Renascimento tardio, foi depois trocada por São Pedro em 1588 por ordem de Sisto V.
O Mercado de Trajano: o complexo comercial de seis pisos escavado na encosta do Quirinal é o mais antigo centro comercial do mundo. Alberga hoje o Museu dos Foros Imperiais.
O Templo do Divino Trajano: construído por Adriano após a morte de Trajano (117 d.C.), o templo foi o componente final do complexo. Pouco sobreviveu.
A Via dei Fori Imperiali: história recente
Mussolini e a demolição
Até 1930, o local dos Foros Imperiais estava coberto por um denso tecido urbano medieval e renascentista. O regime fascista, no âmbito da sua política de «libertação» dos monumentos antigos romanos para fins propagandísticos, demoliu o bairro e em 1932 abriu a Via dell'Impero (hoje Via dei Fori Imperiali) — uma recta de 900 metros da Piazza Venezia ao Coliseu que atravessava o complexo de noroeste para sudeste.
A operação foi devastadora para a arqueologia: demoliu cerca de 5.000 edifícios e enterrou definitivamente porções significativas dos foros sob o pavimento. Ao mesmo tempo, pela primeira vez desde a Antiguidade, os romanos podiam ver o conjunto do complexo dos foros a partir de uma única perspectiva.
Os debates contemporâneos
A questão de retirar a Via dei Fori Imperiali para restituir um acesso arqueológico integral ao complexo permanece aberta hoje em dia. As propostas foram avançadas mais de uma vez mas nunca concretizadas por razões de tráfego, custo e complexidade técnica.
O Museu dos Foros Imperiais
O Museu dos Foros Imperiais, situado no Mercado de Trajano, é o ponto de acesso mais rico para compreender o complexo. O museu expõe:
- Fragmentos escultóricos e arquitectónicos dos cinco foros
- Maquetes reconstrutivas à escala
- Reconstruções 3D acessíveis através de estações interactivas
- A secção dedicada à Forma Urbis (a planta em mármore de Roma)
O Mercado de Trajano é acessível independentemente do bilhete Coliseu–Foro–Palatino: o bilhete inclui a entrada no museu e a vista da esplanada sobre o complexo.
Como visitar os Foros Imperiais
Acesso exterior (gratuito)
Toda a Via dei Fori Imperiali é um passeio livre. Do lado da via pode observar-se:
- As três colunas do Templo de Vénus Genetrix (Foro de César)
- As colonnacce do Foro de Nerva
- As três colunas do Templo de Marte Ultor (Foro de Augusto)
- A Coluna de Trajano (a partir da Via dei Fori Imperiali)
Acesso interior
Foros de César e de Augusto: incluídos no bilhete combinado Coliseu–Foro–Palatino (€18).
Foro de Trajano / Mercado de Trajano: bilhete separado ou combinado com o Museu dos Foros Imperiais. Verifique os preços actualizados em sovraintendenzaroma.it.
Coluna de Trajano: visível do exterior, não acessível por dentro.
Visite os Foros Imperiais com motorista privado
Os Foros Imperiais situam-se no coração de Roma, ao longo da Via dei Fori Imperiali, a poucos passos do Coliseu.
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Perguntas frequentes
Quantos Foros Imperiais existem? Cinco: o Foro de César (46 a.C.), o Foro de Augusto (2 a.C.), o Templum Pacis de Vespasiano (75 d.C.), o Foro de Nerva (97 d.C.) e o Foro de Trajano (112 d.C.). Este último é o maior e o melhor conservado.
Como se visita o Foro de Trajano? O Foro de Trajano visita-se através do Mercado de Trajano — o complexo comercial de seis pisos que alberga também o Museu dos Foros Imperiais. O bilhete de entrada é separado do bilhete Coliseu–Foro–Palatino.
O que é o Museu dos Foros Imperiais? O Museu dos Foros Imperiais encontra-se no Mercado de Trajano e oferece a visão mais completa do complexo através de fragmentos originais, maquetes e reconstruções 3D. É um dos espaços museológicos mais inovadores de Roma.
Por que razão Mussolini construiu a Via dei Fori Imperiali? A Via dell'Impero (hoje Via dei Fori Imperiali) foi inaugurada em 1932 pelo regime fascista para criar uma recta simbólica entre a Piazza Venezia e o Coliseu. A operação envolveu a demolição de um bairro medieval inteiro e o enterramento parcial de vestígios arqueológicos.
O que albergava o Templum Pacis? O Templum Pacis de Vespasiano (75 d.C.) albergava os tesouros do Templo de Jerusalém, entre os quais a Menorá de sete braços e a Mesa dos Pães da Proposição, trazidos para Roma após a destruição do Templo em 70 d.C.
Artigo n.º 56 — TIER S — MON-03 Foro Romano + Palatino Tipo: HISTÓRIA Palavras: ~2.400