Antes da praça: o Estádio de Domiciano
A forma alongada e oval da Piazza Navona não é acidental. Deriva directamente do Estádio de Domiciano, construído em 86 d.C. para acolher os ludi graeci, os jogos atléticos de tradição grega. O estádio tinha aproximadamente 265 metros de comprimento, com capacidade para 30.000 espectadores — um dos maiores de Roma.
Após o fim da utilização desportiva, nos séculos V e VI, as estruturas permaneceram de pé e começaram a ser incorporadas nos novos edifícios medievais. A espinha do estádio tornou-se a espinha da praça.
A Idade Média: mercado e bairro
Na Idade Média, o nome da zona era in agone (pelo estádio). Por uma transformação fonética popular, in agone tornou-se primeiro nagone, depois navone, daí Navona. Um mercado realizava-se aqui pelo menos desde o século XIII.
A praça medieval era muito diferente da actual: sem fontes monumentais, rodeada de edifícios irregulares, frequentemente lamacenta e ruidosa. Era um espaço funcional, não celebratório.
O Renascimento: o bairro dos Pamphilj e de outras famílias
Nos séculos XV e XVI, várias famílias nobres adquiriram propriedades em redor da praça. Os Pamphilj tornaram-se os seus proprietários mais importantes, mas os Braschi também estavam presentes (viriam a construir o Palazzo Braschi, hoje Museu de Roma, no canto sudeste) bem como outros.
A praça era já um lugar de prestígio, mas a grande transformação barroca estava ainda por vir.
O pontificado de Inocêncio X (1644–1655): a transformação decisiva
Com a eleição de Giambattista Pamphilj como papa Inocêncio X em 1644, a praça tornou-se o palco de uma das operações urbanísticas mais ambiciosas do barroco romano.
Em menos de dez anos, entre 1644 e 1655, o papa encomendou ou iniciou:
- A construção do Palazzo Pamphilj (1644–1646, Girolamo Rainaldi), que deu à praça a sua longa frente ocidental
- A construção da Fontana dei Quattro Fiumi (1648–1651, Gian Lorenzo Bernini), a peça central de toda a composição
- A reconstrução da igreja de Sant'Agnese in Agone (iniciada em 1652, depois Borromini a partir de 1653), que completou o lado com a fachada côncava
Estas três operações são interdependentes e concebidas como um único projecto de afirmação da glória da família Pamphilj.
Bernini e a Fontana dei Quattro Fiumi (1648–1651)
A encomenda da Fontana dei Quattro Fiumi é um dos episódios mais narrados do barroco. Inocêncio X tinha inicialmente preferido outro projecto, mas Bernini conseguiu fazer chegar ao papa uma maqueta de prata através da mediação de Olimpia Maidalchini, cunhada do pontífice.
A fonte foi inaugurada a 12 de junho de 1651. Representa os quatro grandes rios do mundo conhecido: o Nilo (África), o Ganges (Ásia), o Danúbio (Europa) e o Rio da Prata (Américas). No centro, um obelisco romano do século III d.C., originalmente colocado no Circo de Maxêncio na Via Ápia.
As fontes menores
As duas fontes nas extremidades da praça — a Fontana del Moro (sul) e a Fontana di Nettuno (norte) — já existiam antes da intervenção de Inocêncio X. A primeira foi ampliada por Giacomo della Porta em 1575; a figura do Mouro foi acrescentada por Bernini em 1653. A Fontana di Nettuno recebeu o seu grupo escultórico central apenas no século XIX (1873), segundo projecto de António della Bitta.
Do século XVII aos nossos dias
Após a morte de Inocêncio X em 1655, a praça permaneceu estruturalmente quase inalterada. O mercado continuou a realizar-se aqui até ao século XIX. Nesse século, algumas casas encostadas às estruturas do estádio foram demolidas, tornando mais visível a forma oval. A praça foi pedonalizada no século XX, chegando à configuração que tem hoje.
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Perguntas frequentes
Quando foi pedonalizada a Piazza Navona? A praça foi encerrada ao tráfego na segunda metade do século XX, de forma gradual. A configuração inteiramente pedonal data das décadas de 1970–1980.
O mercado ainda existe? Não como mercado permanente. Subsiste a tradição do Mercado de Natal em dezembro. No resto do ano, os stands de artistas e vendedores presentes são um eco comercial do mercado histórico, não um mercado regular.
Artigo n.º 152 — TIER S — MON-08 Piazza Navona Tipo: HISTÓRICO Palavras: ~800



