É maior do que parece
A maior ilusão de São Pedro é a escala. No interior, nada parece extraordinariamente grande — e no entanto tudo o é. As letras da inscrição sob a cúpula têm 2 metros de altura. O baldaquino tem 28,5 metros de altura — o equivalente a um edifício de nove andares. A basílica inteira tem 211 metros de comprimento. A percepção fica distorcida porque tudo está proporcionado de forma coerente: não há nenhum elemento fora de escala que sirva de referência.
Só quando nos aproximamos de uma figura humana ao pé de um dos pilares é que começamos verdadeiramente a perceber onde nos encontramos.
A Pietà é maior do que o natural
Miguel Ângelo realizou a Pietà em dimensões superiores ao natural: a Virgem, de pé, ultrapassaria um metro e noventa. A escolha não foi casual. Uma figura em tamanho natural com o Cristo adulto no colo pareceria esmagada. Aumentando as proporções da Madonna e alargando o seu manto, Miguel Ângelo transformou um problema compositivo numa escolha expressiva.
O pé gasto: devoção e erosão
O pé direito da estátua de bronze de São Pedro — tradicionalmente atribuída a Arnolfo di Cambio, século XIII — foi gasto por milénios de beijos e toques dos fiéis. Estima-se que passem cerca de 5-6 milhões de visitantes por ano. Em média, o pé foi tocado por dezenas de milhar de mãos todos os dias durante séculos. Não há restauro: o desgaste faz parte da própria história da estátua.
Bronze roubado ao Panteão?
Para o baldaquino, Bernini utilizou cerca de 100.000 kg de bronze, grande parte do qual provinha do pórtico do Panteão, onde revestia as vigas da estrutura. O Papa Urbano VIII (Maffeo Barberini) autorizou o despojamento. O contemporâneo Pasquino — a "estátua falante" de Roma — comentou com o famoso verso: «Quod non fecerunt barbari, fecerunt Barberini» — "O que os bárbaros não fizeram, fizeram os Barberini". Urbano VIII pertencia à família Barberini.
O Passetto di Borgo: fuga papal
Durante o Sacco di Roma de 1527, as tropas dos lansquenetes de Carlos V saquearam a cidade durante semanas. O Papa Clemente VII conseguiu fugir através do Passetto di Borgo, o corredor coberto e sobrelevado que ligava o Vaticano ao Castel Sant'Angelo. Refugiou-se na fortaleza durante aproximadamente sete meses. O corredor, com cerca de 800 metros de comprimento, ainda é parcialmente visitável.
A "Cátedra" e a cadeira de madeira
O monumental trono de bronze de Bernini na Cathedra Petri — 7,5 metros de altura, encimado pela janela com o Espírito Santo — guarda no seu interior uma cadeira de carvalho do século IX. Acreditava-se que era a cátedra do bispo de Roma desde os tempos apostólicos. As análises históricas recentes indicam que se trata provavelmente de uma cadeira carolíngia, oferenda de Carlos, o Calvo, ao Papa João VIII em 875 d.C. A madeira apostólica tornou-se o trono barroco: a história real é quase tão extraordinária como a lendária.
A assinatura da Pietà: a história de uma ira
Segundo Giorgio Vasari, Miguel Ângelo assinou a Pietà — a única obra que alguma vez assinou — depois de ouvir um grupo de visitantes lombardos atribuí-la a Cristoforo Solari. Furioso, voltou de noite e gravou as palavras na fita que atravessa o peito da Virgem: MICHAEL ANGELUS BONAROTUS FLORENTINUS FACIEBAT. O verbo latino faciebat — "estava a fazer" — no imperfeito, como a sugerir que a obra ainda estava em processo de perfeição.
A Porta Santa: aberta apenas durante o Jubileu
A Porta Santa — a última das cinco portas da basílica, no lado direito — permanece murada durante anos. Só é aberta pelo Papa no início de um Ano Santo (a cada 25 anos, ou em jubileus extraordinários). A abertura envolve um gesto ritual: o Papa bate três vezes com um martelo de ouro antes de os pedreiros removerem o muro. No ano do Jubileu, quem passar por essa porta e cumprir determinadas condições espirituais recebe a indulgência plenária.
A cúpula que Miguel Ângelo não teria reconhecido
Miguel Ângelo projectou o tambor e a cúpula imaginando que o visitante a veria desde o topo das absides, circundando-a. Tinha previsto uma nave mais curta. Quando Carlo Maderno prolongou a nave entre 1607 e 1614, a fachada acabou por ocultar o tambor da cúpula na vista frontal da Via della Conciliazione. Hoje a cúpula só pode ser vista na sua totalidade a uma certa distância ou de lado. Miguel Ângelo, pelas suas próprias palavras, não teria aprovado a solução de Maderno.
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Perguntas frequentes
É verdade que o bronze do baldaquino vem do Panteão? Em parte sim. Uma proporção significativa do bronze provinha da estrutura do pórtico do Panteão por ordem de Urbano VIII em 1626. A fonte é o próprio Bernini. O Panteão perdeu parte do seu revestimento de bronze, mas a estrutura principal em betão (opus caementicium) permaneceu intacta.
Por que razão a assinatura da Pietà está no imperfeito ("faciebat")? Foi interpretado como uma declaração de humildade artística: o imperfeito indica um processo ainda em curso, uma perfeição nunca definitivamente alcançada. Alguns historiadores vêem nisso uma referência à tradição clássica grega, onde os escultores usavam construções similares.
Artigo n.º 137 — TIER S — MON-07 São Pedro Tipo: HISTÓRICO Palavras: ~800



